Recebi, recentemente, de Gisele Lorenzetti um artigo de seu pai, Valentim Lorenzetti, escrito há mais de 20 anos para a revista Exame, que traz uma fábula bastante pertinente para a comunicação empresarial atual, no ambiente da Web 2.0. A estória reforça a idéia de que as organizações precisam ter uma visão ampla, organizada e sistemática dos processos de comunicação.
A fábula diz o seguinte. Certa vez, a onça mandou o papagaio espalhar por toda a floresta que ela se tornara mansa e, portanto, convidava toda a bicharada para uma festa de confraternização em sua toca. O papagaio fez um trabalho muito eficiente, difundindo a notícia aos quatro ventos. No dia marcado, a toca da onça estava cheia de animais, todos muito alegres por estarem participando do evento. A onça fechou a porta e teve muito tempo para comer, um a um, todos os bichos, inclusive o papagaio.
Na análise de Valetim Lorenzetti faltou atuação de relações públicas. Utilizou-se apenas comunicação. Um programa de RP teria se preocupado, antes de qualquer coisa, com três pontos fundamentais: mudar o hábito alimentar da onça, alterar suas patas, retirando-lhes as garras e mudar seus dentes de carnívoro. Após estas alterações, a ação de RP teria previsto um teste com público restrito, para ver se tudo estava funcionando conforme os objetivos. Somente em caso positivo é que entraria em ação a comunicação: o papagaio poderia espalhar a notícia. Nesse caso, a comunicação teria consistência, pois estaria difundindo a mudança efetiva. Sem a mudança, nada haveria a comunicar.
No ambiente da Web, identificamos organizações ávidas por se relacionarem com as mídias sociais, numa tentativa de atualizar a sua comunicação. Muitas, porém, se esquecem de traçar cenários, avaliar os riscos e identificar, verdadeiramente, as oportunidades. As boas práticas destacadas por Valentim Lorenzetti em seu artigo, há 20 anos, se aplicam também ao Cyberespaço.
Um empresa não deve enxergar blogs e comunidades virtuais apenas como mídia. É uma leitura limitada e parcial da realidade. Antes de convidá-los para a festa, devemos entender que um blogueiro pode ser, ao mesmo tempo, meio e finalidade. Às vezes, acumulando as duas funções sociais. Sob a perspectiva das relações públicas, seria necessário estabelecer um programa de relacionamentos com lideranças, antes de interferir em seus ambientes, levando espontaneamente mensagens publicitárias e institucionais.
É preciso conhecer, devidamente, o canal com que se pretende dialogar, identificando a ideologia, os valores e a cultura de seus controladores. Apenas desta forma, poderemos estabelecer relações éticas e transparentes, abrindo possibilidades de interferir positivamente na agenda destes espaços virtuais e até influenciar estas lideranças para que elas possam multiplicar as suas mensagens. Pensar nas mídias sociais apenas como novos canais de comunicação, sem uma visão abrangente de seu papel social, pode levar uma organização a ser devorada pela onça.
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
terça-feira, 28 de outubro de 2008
O (des) controle na web
Gostaria de recomendar um vídeo que tive a oportunidade de conhecer hoje, por meio do colega Ralphe Manzoni. Não se trata apenas de um entretenimento, mas de reflexão sobre uma nova ordem social, marcada, neste caso, pela descentralização da produção e distribuição de conteúdo. Este vídeo nos mostra que o controle no ambiente da web é uma utopia. Penso que podemos gerenciar as variáveis, mas não controlá-las, inclusive no chamado mundo real.
Os escolhidos aqui para estrelar o enredo da produção foram Obama, McCain e Sarah Palin, mas poderiam ser outros, um de nós, talvez. Assistam e reflitam sobre o impacto que vídeos como este poderiam ter em empresas e marcas. Até que ponto a imagem empresarial poderia ser seriamente afetada em razão de conteúdos independentes e jocosos?
A mídia feita pelo consumidor é a prova de que se as organizações não falarem em seu nome, ocupando espaço na web, outros farão isso por elas e em nome delas. As mídias sociais são o palco do diálogo e dos relacionamentos. Gerenciar estas variáveis e construir relações sólidas e reputação positiva são um desafio enorme para os profissionais de comunicação.
Os escolhidos aqui para estrelar o enredo da produção foram Obama, McCain e Sarah Palin, mas poderiam ser outros, um de nós, talvez. Assistam e reflitam sobre o impacto que vídeos como este poderiam ter em empresas e marcas. Até que ponto a imagem empresarial poderia ser seriamente afetada em razão de conteúdos independentes e jocosos?
A mídia feita pelo consumidor é a prova de que se as organizações não falarem em seu nome, ocupando espaço na web, outros farão isso por elas e em nome delas. As mídias sociais são o palco do diálogo e dos relacionamentos. Gerenciar estas variáveis e construir relações sólidas e reputação positiva são um desafio enorme para os profissionais de comunicação.
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
A força da comunicação em situações de crise financeira mundial e recessão
Ainda na sala de aula do curso de graduação - já faz alguns anos - ouvi de um professor de administração um caso que poderia perfeitamente ser aplicado em momentos como o atual, de crise financeira global e recessão em vários mercados.
Um humilde homem começara um pequeno negócio, de venda de salgados e frutas, na beira de uma estrada. Distante dos boatos e das notícias sobre crise, conseguiu expandir seu comércio, que, mais tarde, se tornaria uma poderosa rede de restaurantes com atuação em diversas praças do país. O segredo? Muito trabalho. Pelo menos, 12 horas por dia, de domingo a domingo, e extrema habilidade para se comunicar com todos os seus públicos - de fornecedores a clientes.
O seu filho mais velho, que havia se mudado para a capital para estudar quando ainda era adolescente, se formara na universidade e retornara para casa, a fim de comandar os negócios de seu bem-sucedido pai. Na bagagem, um discurso que, para ele, era moderno e global. “Pai, temos de nos preparar para uma grave crise que está chegando da Ásia, reduzindo gastos operacionais e investimentos”.
As decisões impactaram, de imediato, as empresas, que começaram a registrar queda de faturamento, acumular prejuízos e, mais adiante, a reduzir de tamanho. O pai, que sempre acreditara na força de seu negócio e no poder de seu diálogo diz, perplexo com a situação, “filho, você tinha razão. A crise chegou mesmo”.
O que não sabemos, neste caso, é se a crise estava na tomada de decisão do jovem administrador, na sua atitude empresarial ou no cenário macroeconômico. Mas o que podemos afirmar é que os momentos difíceis passarão e as organizações bem geridas, com imagem positiva e boa reputação vão permanecer.
É, justamente, em momentos adversos, que as empresas devem mostrar aos seus stakeholders o quanto são sólidas, para não sofrerem com a onda de boatos e com o descrédito de seu negócio. Se a organização não ocupar seu espaço no debate, levando suas mensagens aos seus públicos, alguém fará isso por ela e em nome dela.
Adotar políticas de comunicação mais amplas em situações de crise assegura visibilidade e credibilidade aos negócios, podendo, inclusive, garantir a sobrevivência empresarial em um cenário mundial de descontrole da ordem financeira e econômica.
Um humilde homem começara um pequeno negócio, de venda de salgados e frutas, na beira de uma estrada. Distante dos boatos e das notícias sobre crise, conseguiu expandir seu comércio, que, mais tarde, se tornaria uma poderosa rede de restaurantes com atuação em diversas praças do país. O segredo? Muito trabalho. Pelo menos, 12 horas por dia, de domingo a domingo, e extrema habilidade para se comunicar com todos os seus públicos - de fornecedores a clientes.
O seu filho mais velho, que havia se mudado para a capital para estudar quando ainda era adolescente, se formara na universidade e retornara para casa, a fim de comandar os negócios de seu bem-sucedido pai. Na bagagem, um discurso que, para ele, era moderno e global. “Pai, temos de nos preparar para uma grave crise que está chegando da Ásia, reduzindo gastos operacionais e investimentos”.
As decisões impactaram, de imediato, as empresas, que começaram a registrar queda de faturamento, acumular prejuízos e, mais adiante, a reduzir de tamanho. O pai, que sempre acreditara na força de seu negócio e no poder de seu diálogo diz, perplexo com a situação, “filho, você tinha razão. A crise chegou mesmo”.
O que não sabemos, neste caso, é se a crise estava na tomada de decisão do jovem administrador, na sua atitude empresarial ou no cenário macroeconômico. Mas o que podemos afirmar é que os momentos difíceis passarão e as organizações bem geridas, com imagem positiva e boa reputação vão permanecer.
É, justamente, em momentos adversos, que as empresas devem mostrar aos seus stakeholders o quanto são sólidas, para não sofrerem com a onda de boatos e com o descrédito de seu negócio. Se a organização não ocupar seu espaço no debate, levando suas mensagens aos seus públicos, alguém fará isso por ela e em nome dela.
Adotar políticas de comunicação mais amplas em situações de crise assegura visibilidade e credibilidade aos negócios, podendo, inclusive, garantir a sobrevivência empresarial em um cenário mundial de descontrole da ordem financeira e econômica.
Marcadores:
Comunicação; Reputação empresarial; Crise
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
Estudo mostra que publicidade em blogs é mais confiável que em outras mídias
Uma pesquisa realizada pela Social Media, empresa especializada em gestão de blogs e redes sociais, e pela GFK, revela que a publicidade em blogs aumenta a notoriedade das marcas. Os motivos? Segundo o estudo, pelo uso de novos formatos e por causa da afinidade estabelecida com as temáticas abordadas. Claro, devemos considerar aqui que os pesquisadores utilizaram como amostra a Espanha.
De acordo com o levantamento, 54% dos entrevistados estão dispostos a ampliar a sua leitura de blogs, em detrimento de outras medias. Além disso, 40% afirmam que a publicidade é mais confiável quando aparece nos blogs do que em outro meio. "Blogs são meios fundamentais no marketing, em razão da grande presença de líderes de opinião”, disse Olga Palomi, executica da empresa.
Ela diz ainda que os blogs são importantes para os parâmetros de percepção de marca e notoriedade publicitária., um meio fundamental no mix de marketing dos anunciantes.
De acordo com o levantamento, 54% dos entrevistados estão dispostos a ampliar a sua leitura de blogs, em detrimento de outras medias. Além disso, 40% afirmam que a publicidade é mais confiável quando aparece nos blogs do que em outro meio. "Blogs são meios fundamentais no marketing, em razão da grande presença de líderes de opinião”, disse Olga Palomi, executica da empresa.
Ela diz ainda que os blogs são importantes para os parâmetros de percepção de marca e notoriedade publicitária., um meio fundamental no mix de marketing dos anunciantes.
Marcadores:
Comunicação; Mídia,
Social media; Blogs
Abracom promove bate-papo sobre a comunicação no ambiente digital
A Associação Brasileira das Agências de Comunicação promove um encontro sobre a comunicação no ambiente digital, no próximo dia 28, das 9h às 12h, no auditório Spazio JK, no Itaim.
Um dos temas mais relevantes neste bate-papo - como prefere chamar a Abracom - será o desafio da comunicação corporativa na web 2.0. Além de profissionais das agências e interessados no tema, estarão por lá Ralphe Manzoni Jr. e André de Abreu.
A Abracom aproveitará o debate para anunciar oficialmente a criação do grupo de trabalho sobre comunicação digital da entidade, do qual faço parte.
Um dos temas mais relevantes neste bate-papo - como prefere chamar a Abracom - será o desafio da comunicação corporativa na web 2.0. Além de profissionais das agências e interessados no tema, estarão por lá Ralphe Manzoni Jr. e André de Abreu.
A Abracom aproveitará o debate para anunciar oficialmente a criação do grupo de trabalho sobre comunicação digital da entidade, do qual faço parte.
Marcadores:
Abracom; Web 2.0; Comunicação corporativa
ABRP anuncia realização de prêmio da entidade
A Associação Brasileira de Relações Públicas realiza, no próximo dia 28 de outubro, às 19h30, no Campus Anália Franco da Universidade Cruzeiro do Sul, a 26ª edição do Prêmio ABRP. A ABRP congrega profissionais, acadêmicos e estudantes de Relações Públicas oferecendo cursos, encontros e o concurso para o aprimoramento do exercício da profissão.
O objetivo é estimular o aperfeiçoamento da formação acadêmica e reconhecer a excelência dos futuros profissionais de Relações Públicas, incentivando-os a apresentar o resultado de seus trabalhos de conclusão de curso. Na ocasião será, também, homenageado um profissional que tenha contribuído de forma decisiva para o desenvolvimento das Relações Públicas com o Troféu Candido Teobaldo.
Mais informações:abrpsp@abrpsp.org.br ou 11 55871161.
O objetivo é estimular o aperfeiçoamento da formação acadêmica e reconhecer a excelência dos futuros profissionais de Relações Públicas, incentivando-os a apresentar o resultado de seus trabalhos de conclusão de curso. Na ocasião será, também, homenageado um profissional que tenha contribuído de forma decisiva para o desenvolvimento das Relações Públicas com o Troféu Candido Teobaldo.
Mais informações:abrpsp@abrpsp.org.br ou 11 55871161.
Marcadores:
ABRP; Relações Públicas
Assinar:
Postagens (Atom)
.jpg)