quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Políticas de comunicação precisam contemplar "colaborador 2.0"

A política de comunicação de sua empresa estabelece regras aos colaboradores para a participação deles nas mídias sociais? Se sua resposta for negativa, saiba que você acompanha a grande maioria, que ainda não percebeu que uma opinião dada por um funcionário em um blog, em um fórum de discussões ou em uma rede de relacionamentos pode atingir a imagem e a reputação corporativa.

Da mesma forma que um diretor e um gerente não estarão dissociados de suas empresas na hora de emitir juízos sobre um determinado tema, também não estarão descolados no caso da web. A regra é a mesma. Um comentário mais enfático sobre o produto do concorrente ou uma crítica mais dura a alguém, que não estejam nos planos da organização, serão atribuídos a ela por uma grande parte da opinião pública atenta ao caso.

Devemos considerar ainda as situações em que um colaborador poderá publicar em seu blog ou em qualquer outro espaço similar posts sobre decisões que julgue controversas ou polêmicas, revelando publicamente medidas internas que, até aquele momento, eram confidenciais. Em outros tempos, em um passado sem a web 2.0, seriam.

Agora tente imaginar a publicação de um vídeo da última festa de fim de ano da sua empresa, em que muitas pessoas, um pouco mais alteradas e motivadas pela combinação alegria e bebida, aparecem de forma descontraída, cantando e dançando – para não citar ocorrências mais delicadas. Qual seria o impacto deste conteúdo - nenhuma obra prima do cinema - para a imagem empresarial? Certamente não agregaria.

Ter na empresa colaboradores que mantêm blogs, contas no Orkut, Facebook, MySpace, YouTube, Flickr e Twitter é uma realidade cada vez maior e mais intensa. Portanto, não bastará mais adotar medidas restritivas ao uso destes sites. A questão é cultural e comportamental. Será muito melhor para as organizações prever políticas sobre todas as formas de comunicação, como verbal, e-mails e participação em chats, blogs e outros canais interativos. Novos cenários exigem mudanças nas diretrizes.

Você e sua empresa devem se responsabilizar por todo o conteúdo postado nas mídias sociais: oficial ou não. David Meerman Scott, em seu livro As novas regras do marketing e de relações públicas, levanta algumas questões relevantes que devem ser debatidas no momento de definição das diretrizes de comunicação: transparência, privacidade, revelações, verdade, créditos e controle. E não se esqueça de incluir nesta política, além de regras, o bom senso.

4 comentários:

Claudio disse...

Questão complicada a que levanta esse post. Eu gostaria de saber se, na verdade, alguma empresa cujo negócio não seja diretamente ligado a tecnologia e/ou comunicação têm essas políticas claras. Melhor dizendo, até mesmo as de tecnologia e/ou comunicação. Alguém aí pode me exemplificar?

Rodrigo Padron disse...

Claudio, de fato, as empresas ainda não perceberam que o envolvimento da sociedade com a web cresceu vertiginosamente, em especial, no Brasil.

A proposta deste artigo é justamente gerar alerta sobre a necessidade de incluir este tema no debate e nas políticas de comunicação.

Não adianta preparar executivos, desenvolver mensagens preferenciais, position papers sobre diversas questões, definir hierarquia de porta-vozes e se descuidar do envolvimento destes mesmos profissionais com as mídias sociais.

A discussão está apenas começando...

Cláudio disse...

Rodrigo, mudar esse quadro exigirá uma profunda mudança no modo de pensar do gestor: a constatação de que as coisas não estão mais sob controle (se é que um dia já tiveram) e que mesmo o funcionário mais subalterno, burocraticamente chamado de "colaborador", pode ter tanto peso para a reputação da corporação quanto seu presidente. Tudo vai depender das circunstâncias em que ambos emitirão suas opiniões.
É complicado legitimar a pessoas despreparadas (porque não sabem escrever, porque não entendem a dinâmica de comunicação etc.) se pronunciar sobre assuntos da empresa em determinadas situações. Mas não tem jeito: elas vão falar de qualquer forma e os resultados, sem orientação, serão ainda piores.
Tenho curiosidade sincera de saber como empresas que estão na crista da onda lidam com isso. De fato, na prática. Não só no Brasil, mas em todo o mundo.

Flavita disse...

Eu sou uma cética você sabe disso (ou não ahahahaha). Apesar do meu entusiasmo e do peso que as mídias sociais tiveram na vitória de Barack Obama, muitos dos executivos, empresários etc nem conseguem enxergar valor na comunicação tradicional, quanto mais na mídia alternativa.

Como você mesmo disse é o começo de uma longa jornada. Se for fácil que graça tem?

=*