Gostaria de compartilhar com os leitores do Ponto de Desequilíbrio um artigo do amigo Ignácio Garcia, um antropólogo e pesquisador que conheci no final de 2009. Ele é especialista em Análise de Redes Organizacionais e CEO da Tree Branding Consulting.
O texto, já publicado em EXPM, é ótimo e nos provoca de forma inteligente. Complemento o pensamento destacando que as redes sociais sempre existiram, mas os desenvolvimentos tecnológicos recentes permitiram sua emergência como uma forma predominante de organização social. Acompanhe abaixo o artigo.
O ano de 2009 nos deixou uma contundente certeza: queiramos ou não, estamos em rede como nunca antes na nossa evolução cultural (por evolução entenda-se aqui o “processo de mudança” e não necessariamente o “progresso” no sentido linear).
Tudo indica que tal processo irá se intensificar nos próximos anos, continuando a dar forma ao que o filósofo Manuel Castells definiu como a “Sociedade em Rede”. E nesta nova era do conhecimento e da sociedade em rede, o Brasil conta com traços culturais de sociabilidade que se manifestam na rápida adoção das TICs (Tecnologias da Informação e Comunicação), o que o coloca numa situação privilegiada de competitividade global.
Todavia, junto com esta certeza, vem várias outras incertezas que geram, especialmente no meio empresarial, uma grande ansiedade sobre como se adaptar às mudanças de características vertiginosas, orgânicas (não mecânicas) e auto-organizadas (não impostas pela hierarquia).
É por isso que 2009 foi o ano no qual as organizações brasileiras se voltaram massivamente às chamadas “mídias sociais”, compreendendo que, querendo ou não, já estão na sociedade em rede.
Junto com o empoderamento de um consumidor cada vez mais conectado, antenado e criador de conteúdo e, com as novas características dos cidadãos da denominada geração Y, os limites classificatórios se tornam cada vez mais difusos, nos levando a compreensão de que tudo está interligado.
Dissipação de limites entre a organização empresarial e seus stakeholders (aonde começa e termina cada uma?) e entre o mundo on-line e off-line como espaço de experiência e relacionamento, são exemplos que impactarão cada vez mais a maneira de como se pensa e se pratica a comunicação empresarial.
Nesta vertente, as organizações que se comportem de maneira “retardatária” na compreensão e adoção de novas tecnologias e conceitos de comunicação empresarial, poderão sofrer as conseqüências de quem entra tarde no jogo, podendo se auto-excluir do emaranhado entrançado sócio-cultural contemporâneo.
Com as certezas e incertezas herdadas do ano que passou, nossa proposta para o ano que começa é contribuir na compreensão e ação da comunicação empresarial no seu sentido mais amplo, a partir de uma ótica antropológica das redes sociais que lhe dão vida. Comecemos, então, pela pré-história das redes sociais.
A pré-história das redes sociais
Junto com a crescente popularidade do conceito de “redes sociais” (vinculado ao mundo virtual ou online), cresce a esperança de uma sociedade mais integrada e horizontal, muitas vezes descrita através de metáforas organicistas e provenientes da teoria da complexidade.No entanto, é preciso compreender que o conceito de rede não implica necessariamente algo positivo per se, já que a rede é um meio e não um fim em si mesma, e a valorização da rede é algo relativo aos atores que a compõem.
O conceito de rede social tampouco é algo novo (mas sim ganha novas características na sua versão virtual ou on-line), já que, como mostraremos a seguir, a interligação entre indivíduos é inerente ao gênero humano.
Durante mais de 99% do tempo transcorrido desde a aparição dos primeiros indivíduos do gênero Homo – há aproximadamente dois milhões de anos AC -, nossos antepassados já se organizavam socialmente em pequenas comunidades do tipo caçadoras- recolectoras, nômades, com pouca divisão do trabalho e primando a interação cara-a-cara e a tomada de decisão coletiva e guiada pelo consenso. Ou seja, mais de 99% da nossa existência na Terra vivemos em pequenas redes sociais de topografia (forma) horizontais e clusterizadas em pequenos grupos pouco conectados entre si.
No tempo restante (menos de 1%), importantes mudanças aconteceram - o que não significa que o período anterior fosse estático. De maneira muito resumida, podemos dizer que tais mudanças, particularmente tecnológicas, afetaram o tamanho e hábitos das comunidades e, subseqüentemente, ampliaram os limites do mundo, o que levou a uma posterior sub-limitação geopolítica em Estados-Nação.
Nos últimos vinte anos (irrisórios 0,001%) a aparição da Web 1.0 e posteriormente da Web 2.0 possibilitou, como nunca antes, a interação entre indivíduos diversos e fisicamente distantes, tornando o mundo significativamente mais enxuto (ao menos em termos comunicacionais e em referência aqueles incluídos digitalmente). Este fascinante processo reaviva o conceito de “comunidade” inerente ao nosso gênero.Comunidades formais e, sobretudo, informais que se constituem a partir de atributos em comum, mas desta vez também existem na forma virtual ou on-line, dialogando em tempo real no seu interior e entre elas.
Acreditamos que uma nova história de relacionamentos mais horizontais e auto-organizados está começando e pode beneficiar-se à luz da compreensão da natureza humana, caracterizada, entre outros aspectos, pela necessidade da comunicação informal além das estruturas formais (como é o caso das empresas).
Em suma, este é o momento propício para olhar a comunicação empresarial como uma grande e complexa rede de indivíduos que interagem além dos limites das estruturas formais e físicas e dos canais tradicionais de comunicação.
Desvendar e gerenciar as comunidades de afinidade que se criam e existem dentro e fora das organizações deve ser uma prioridade estratégica da Gestão em geral e da comunicação empresarial em particular.
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Entendendo o Pós-Humano para trabalhar as mídias sociais
Qualquer discussão sobre estratégias de mídias sociais para empresas ou poder público deve ser sustentada pelas provocações do Pós-Humano. A relação do indivíduo com a tecnologia passa por um processo intenso de mudança. O desenvolvimento tecnológico tem tomado o próprio homem como objeto, não apenas interferindo sobre ele em termos de induções comportamentais, mas também atingindo dimensões internas da organização do pensamento e das emoções. É a cultura digital, a vida no Ciberespaço.
O filósofo Franklin Leopoldo e Silva nos provoca quando propõe a idéia de que podemos redefinir os limites do humano e da tecnologia, dada a simbiose entre a máquina e o homem. Entendo que a nossa condição atual parece, de fato, ser neototêmica e que corremos o risco de perder a compreensão sobre o limite de nosso corpo e o resto. Quando o nosso processo de conhecimento se produz na tela, quando se verifica o deslocamento do conteúdo de nossa mente para a internet, desaparece também o limite que separa e diferencia a nossa consciência pessoal.
Outro aspecto relevante é entender que podemos criar e gerenciar relacionamentos a partir de simulacros e não apenas de representações sociais. Como diz o professor Mauro Wilton, é preciso compreender que não precisamos mais do real para gerar uma realidade virtual, apenas a experiência. A realidade virtual pode ser uma simulação, uma nova realidade baseada na representação do real. E os games significam um fabuloso exemplo desta nova relação.
O vídeo abaixo, de Bruce Branit, reforça as provocações que tento revelar neste post. Vale assisti-lo e compartilhá-lo.
O filósofo Franklin Leopoldo e Silva nos provoca quando propõe a idéia de que podemos redefinir os limites do humano e da tecnologia, dada a simbiose entre a máquina e o homem. Entendo que a nossa condição atual parece, de fato, ser neototêmica e que corremos o risco de perder a compreensão sobre o limite de nosso corpo e o resto. Quando o nosso processo de conhecimento se produz na tela, quando se verifica o deslocamento do conteúdo de nossa mente para a internet, desaparece também o limite que separa e diferencia a nossa consciência pessoal.
Outro aspecto relevante é entender que podemos criar e gerenciar relacionamentos a partir de simulacros e não apenas de representações sociais. Como diz o professor Mauro Wilton, é preciso compreender que não precisamos mais do real para gerar uma realidade virtual, apenas a experiência. A realidade virtual pode ser uma simulação, uma nova realidade baseada na representação do real. E os games significam um fabuloso exemplo desta nova relação.
O vídeo abaixo, de Bruce Branit, reforça as provocações que tento revelar neste post. Vale assisti-lo e compartilhá-lo.
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
A internet, em vez da TV
Recentemente, tive uma experiência bem interessante, que comprova algo que já havia constatado. Meu sobrinho, de um pouco mais de dois anos, trocou uma grande TV de LCD por um computador, de 15’. Nas duas telas, o conteúdo era infantil. Mas então qual foi o diferencial? Na web, o menino acessou o conteúdo que melhor lhe convinha, na hora desejada. A internet ofereceu a ele algo customizado e isso justificou a preferência. Ele e todos nós não dependemos mais das programações engessadas da televisão.
Para entender a influência da internet, sobretudo, nos jovens é preciso reconhecer dois fatos, apontados por Pierre Lévy, um dos mais lúcidos filósofos e professores de nossa atualidade. Diz ele: “o crescimento do ciberespaço resulta de um movimento internacional de jovens ávidos para experimentar, coletivamente, formas de comunicação diferentes daquelas que as mídias clássicas nos propõem. Em segundo lugar, que estamos vivendo a abertura de um novo espaço de comunicação, e cabe apenas a nós explorar as potencialidades mais positivas deste espaço nos planos econômico, político, cultural e humano”.
Em minhas pesquisas sobre cibercultura, levantei algumas características sobre esta tal de geração “C”, a que nasceu conectada à internet. A saber,
Não diferem real e virtual;
Facilidade para atuar em rede, grupo, explorar o conceito de coletivo;
Dominam amplamente a nova linguagem, resultante da web;
Se baseiam em informação digital e customizada;
Necessidade de compartilhamento de idéias e opiniões;
Relacionamentos e vínculos criados e desfeitos mais facilmente;
Entendem a web como uma extensão de suas personalidades reais;
Vivem a cultura de uma informação “sem dono”;
Confiam mais em seus pares.
Para entendermos melhor o significado do comportamento desta nova geração, vamos destacar alguns traços de gerações anteriores – a minha e a de meus pares,
A vida, de verdade, é só o real;
Preconceito de diferentes níveis contra novos nichos e tendências;
Relacionamentos baseados nas práticas tradicionais;
Conhecimento nos meios de informação tradicionais;
Inabilidade para lidar com novas tecnologias;
Vínculos estáveis;
Mistura de velhos com novos valores culturais;
Respeitam fontes e formadores de opinião;
Resistência para mudanças.
Analisando um pouco a história, constatamos que os novos meios não anularam os anteriores. A escrita não morreu tampouco o rádio e o cinema. A internet não decreta o fim da TV, apenas a estimula a mudar: tornar-se mais interativa, colaborativa e com conteúdos customizados e muito mais diversificados.
Para entender a influência da internet, sobretudo, nos jovens é preciso reconhecer dois fatos, apontados por Pierre Lévy, um dos mais lúcidos filósofos e professores de nossa atualidade. Diz ele: “o crescimento do ciberespaço resulta de um movimento internacional de jovens ávidos para experimentar, coletivamente, formas de comunicação diferentes daquelas que as mídias clássicas nos propõem. Em segundo lugar, que estamos vivendo a abertura de um novo espaço de comunicação, e cabe apenas a nós explorar as potencialidades mais positivas deste espaço nos planos econômico, político, cultural e humano”.
Em minhas pesquisas sobre cibercultura, levantei algumas características sobre esta tal de geração “C”, a que nasceu conectada à internet. A saber,
Não diferem real e virtual;
Facilidade para atuar em rede, grupo, explorar o conceito de coletivo;
Dominam amplamente a nova linguagem, resultante da web;
Se baseiam em informação digital e customizada;
Necessidade de compartilhamento de idéias e opiniões;
Relacionamentos e vínculos criados e desfeitos mais facilmente;
Entendem a web como uma extensão de suas personalidades reais;
Vivem a cultura de uma informação “sem dono”;
Confiam mais em seus pares.
Para entendermos melhor o significado do comportamento desta nova geração, vamos destacar alguns traços de gerações anteriores – a minha e a de meus pares,
A vida, de verdade, é só o real;
Preconceito de diferentes níveis contra novos nichos e tendências;
Relacionamentos baseados nas práticas tradicionais;
Conhecimento nos meios de informação tradicionais;
Inabilidade para lidar com novas tecnologias;
Vínculos estáveis;
Mistura de velhos com novos valores culturais;
Respeitam fontes e formadores de opinião;
Resistência para mudanças.
Analisando um pouco a história, constatamos que os novos meios não anularam os anteriores. A escrita não morreu tampouco o rádio e o cinema. A internet não decreta o fim da TV, apenas a estimula a mudar: tornar-se mais interativa, colaborativa e com conteúdos customizados e muito mais diversificados.
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
O papel da mídia no caso Sarney
A decisão do Conselho de Ética de arquivar as denúncias contra José Sarney coloca ainda mais combustível na crise envolvendo o presidente do Senado e ex-presidente da República.
Neste processo, Sarney só tem uma saída, a despeito da grande ajuda que tem recebido do Planalto. Tem de deixar imediatamente a presidência do parlamento e provar à sociedade que não tem responsabilidades sobre as denúncias envolvendo o seu nome – ou não.
Crises do tipo “escândalo político patrimonial” têm como característica a cobertura da vida privada de políticos e de pessoas de seu estreito relacionamento. A temática deste escândalo no Brasil é a da corrupção. Outros já passaram por ela. Agora chegou a vez de Sarney, incluindo as pessoas que o cercam.
O arquivamento das denúncias também pode ser o ingrediente que faltava para estimular a imprensa a entrar de vez no imbróglio jurídico que tem censurado O Estado de S. Paulo. O jornal foi impedido pelo Judiciário de publicar reportagem denunciando Fernando Sarney, filho do presidente do Senado.
O envolvimento da mídia no caso tem sido tímido. Mas pode crescer muito. Toda a sociedade vem sendo duramente atingida pela liminar que proíbe a exposição das denúncias e o esclarecimento dos fatos. Não se trata de espírito de corpo, mas de organização da imprensa contra decisões abusivas que ameaçam a democracia.
A proibição revela a existência de mazelas da ditadura brasileira, que ainda permanecem por causa de atos sigilosos de parlamentares, que fazem da política a extensão de seus negócios e interesses privados. Aqui não se trata apenas de restrição à liberdade de imprensa e de expressão, mas de suposta interferência da família Sarney no Judiciário brasileiro.
A motivação da cobertura jornalística deste caso também é institucional. Envolve posicionamento público e social da própria mídia. O escândalo envolvendo Sarney serve para destacar a defesa do interesse público pelo jornalismo, que ao denunciar algumas práticas, se legitima como agente de vigilância das instituições e da sociedade. Ao trabalhar para elucidar os fatos, a mídia está destacando os valores éticos e morais aos quais pretende estar associada ou comprometida. Deve ser assim.
Neste processo, Sarney só tem uma saída, a despeito da grande ajuda que tem recebido do Planalto. Tem de deixar imediatamente a presidência do parlamento e provar à sociedade que não tem responsabilidades sobre as denúncias envolvendo o seu nome – ou não.
Crises do tipo “escândalo político patrimonial” têm como característica a cobertura da vida privada de políticos e de pessoas de seu estreito relacionamento. A temática deste escândalo no Brasil é a da corrupção. Outros já passaram por ela. Agora chegou a vez de Sarney, incluindo as pessoas que o cercam.
O arquivamento das denúncias também pode ser o ingrediente que faltava para estimular a imprensa a entrar de vez no imbróglio jurídico que tem censurado O Estado de S. Paulo. O jornal foi impedido pelo Judiciário de publicar reportagem denunciando Fernando Sarney, filho do presidente do Senado.
O envolvimento da mídia no caso tem sido tímido. Mas pode crescer muito. Toda a sociedade vem sendo duramente atingida pela liminar que proíbe a exposição das denúncias e o esclarecimento dos fatos. Não se trata de espírito de corpo, mas de organização da imprensa contra decisões abusivas que ameaçam a democracia.
A proibição revela a existência de mazelas da ditadura brasileira, que ainda permanecem por causa de atos sigilosos de parlamentares, que fazem da política a extensão de seus negócios e interesses privados. Aqui não se trata apenas de restrição à liberdade de imprensa e de expressão, mas de suposta interferência da família Sarney no Judiciário brasileiro.
A motivação da cobertura jornalística deste caso também é institucional. Envolve posicionamento público e social da própria mídia. O escândalo envolvendo Sarney serve para destacar a defesa do interesse público pelo jornalismo, que ao denunciar algumas práticas, se legitima como agente de vigilância das instituições e da sociedade. Ao trabalhar para elucidar os fatos, a mídia está destacando os valores éticos e morais aos quais pretende estar associada ou comprometida. Deve ser assim.
quarta-feira, 1 de julho de 2009
Um grupo conservador tentará minimizar o potencial máximo do novo meio
O ciberespaço deve ser totalmente livre? Há limites para o peer-to-peer? Não deveríamos aceitar o fato de que algumas convenções sociais, sobretudo jurídicas, possam regular as relações no ambiente da Internet?
Em entrevista à Folha nesta quarta-feira, Peter Sunde (Pirate Bay) tenta estabelecer algumas respostas, mas que na verdade, devem soar como provocações. As ideias de Marcos Cavalcanti e Carlos Nepomuceno podem contribuir com o debate e a reflexão.
"Também faz parte das lições aprendidas com a chegada de um novo paradigma que um grupo conservador - motivado por diferentes interesses - tente se apropriar do novo meio e impor a ele a visão anterior - impedindo assim que o que existe de mais novo se potencialize.
Niklas Zennstrom lembra que que quando as estações de rádio começaram a tocar músicas obtidas gratuitamente, as gravadoras começaram a processá-las, achando que agora os consumidores de música já não iriam querer comprar um disco numa loja. Mas acho que, hoje em dia, todos concordamos que estações de rádio são boa coisa.
É uma tentativa similar àquela a que assistimos hoje na rede, na discussão dos fornecedores do potencial da Internet, focado na comunicação multidirecional versus aqueles que a interpretam como uma simples convergência de mídia."
Em entrevista à Folha nesta quarta-feira, Peter Sunde (Pirate Bay) tenta estabelecer algumas respostas, mas que na verdade, devem soar como provocações. As ideias de Marcos Cavalcanti e Carlos Nepomuceno podem contribuir com o debate e a reflexão.
"Também faz parte das lições aprendidas com a chegada de um novo paradigma que um grupo conservador - motivado por diferentes interesses - tente se apropriar do novo meio e impor a ele a visão anterior - impedindo assim que o que existe de mais novo se potencialize.
Niklas Zennstrom lembra que que quando as estações de rádio começaram a tocar músicas obtidas gratuitamente, as gravadoras começaram a processá-las, achando que agora os consumidores de música já não iriam querer comprar um disco numa loja. Mas acho que, hoje em dia, todos concordamos que estações de rádio são boa coisa.
É uma tentativa similar àquela a que assistimos hoje na rede, na discussão dos fornecedores do potencial da Internet, focado na comunicação multidirecional versus aqueles que a interpretam como uma simples convergência de mídia."
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Pirate Bay; Internet; Peter Sunde; Ciberespaço
quarta-feira, 17 de junho de 2009
Mahmoud Ahmadinejad contra manifestações na Web
Notícia veiculada pela imprensa nesta quarta-feira revela que o presidente reeleito do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, está tentando conter as manifestações democráticas de internautas no país. Blogueiros terão de retirar conteúdo supostamente ameaçador ao processo eleitoral. Quem tentar burlar a nova regra será alvo de "ações legais". Vale registrar aqui que muitos jornalistas estrangeiros já foram expulsos de lá e que a mídia estatal está calada.
Trata-se de uma iniciativa, além de antidemocrática e condenável, ineficaz. Pierre Lévy, um dos mais lúcidos estudiosos sobre o cibercultura, diz que "o crescimento do ciberespaço resulta de um movimento internacional de jovens ávidos para experimentar, coletivamente, formas de comunicação diferentes daquelas que as mídias clássicas nos propõem". Ahmadinejad não conseguirá controlar as manifestações na internet - movimentos de fácil organização que vêm de baixo para cima. Ele terá de adotar outras estratégias, a começar pela sua postura política e social.
Trata-se de uma iniciativa, além de antidemocrática e condenável, ineficaz. Pierre Lévy, um dos mais lúcidos estudiosos sobre o cibercultura, diz que "o crescimento do ciberespaço resulta de um movimento internacional de jovens ávidos para experimentar, coletivamente, formas de comunicação diferentes daquelas que as mídias clássicas nos propõem". Ahmadinejad não conseguirá controlar as manifestações na internet - movimentos de fácil organização que vêm de baixo para cima. Ele terá de adotar outras estratégias, a começar pela sua postura política e social.
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